Domingo, 7 de Maio de 2017

15.2.2007

«Grandes portugueses» [Álvaro Cunhal]. Se eu fosse um bolchevique, votaria nele.

publicado por RAA às 01:52
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Sábado, 8 de Abril de 2017

13.2.2007

«Grandes portugueses». [D. Afonso Henriques]. Se eu fosse um 'historicista', votaria nele.

publicado por RAA às 16:52
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Sábado, 25 de Março de 2017

10.2.2007

Magistério. Em Haydn eu oiço nitidamente o seu discípulo Beethoven.

publicado por RAA às 21:19
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Sábado, 4 de Março de 2017

6.2.2007

Condição. Só a beleza no abismo é suportável aos feios.

publicado por RAA às 22:38
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Domingo, 26 de Fevereiro de 2017

2.2.2007

Não.  Às dez semanas, o ser que existe no ventre da mulher já é suficientemente humano para que o Estado e/ou a Comunidade se possam permitir a sua supressão sem razões ponderosas. Só aceito a eliminação de um feto se a vida da mãe correr perigo, se existiu violação (neste caso defendo que nem sequer se deve impor um prazo para a decisão da mulher) ou se se verificar uma malformação grave.

A pergunta que é feita aos cidadãos é duma esperteza saloia inqualificável, tão espertalhaça como defender que a 11 de Fevereiro iremos simplesmente pronunciar-nos sobre o um artigo do Código Penal.
O aborto clandestino é uma chaga social, é verdade. As mulheres que o praticam sujeitam-se aos maiores incómodos, devassas e humilhações, é um facto. As que podem, vão fazê-lo ao estrangeiro, sobejando para as pobres as curiosas, as abortadeiras e os queridos médicos abortadeiros.
Para começar: a estes, aos médicos abortadeiros e às parteiras da mesma igualha, gostava de vê-los na cadeia e irradiados da profissão.
Não concebo, com o país que temos, primitivo e boçal, que as mulheres sejam sequer levadas a julgamento. Isso foi proposto por Maria do Rosário Carneiro e Teresa Venda, e logo posto de lado porque o que interessava era «acabar com a humilhação», mesmo que a dita continuasse, como continuou. Freitas do Amaral e Manuela Eanes, entre outros, propuseram que ao crime de supressão de uma vida não correspondesse uma pena. É claro que apareceram uns chicos-espertos a dizer que «tinha de haver pena», que era uma absurdo jurídico e outros cacarejamentos, como se Freitas fosse um veterinário e não percebesse nada de leis.
Julgar e condenar mulheres de classe desfavorecida é uma injustiça, não só por muitas vezes lhes faltar informação, como por serem coagidas pelos maridos ou pais a abortarem, e ainda por lhes estarem vedados os simples meios de contracepção (já nem falo do torpedeamento da Santa Madre Igreja, à qual me referirei adiante): aos bonitos esposos de muito do nosso Portugal nem lhes pode passar pela cabeça que a sua mulher usa a pílula. Usar a pílula contraceptiva no país profundo, porco e boçal é meio caminho andado para os labregões imaginarem as mulheres deles no fornicanço cadeleiro -- que é o que eles conhecem e praticam.
 
Houvesse coragem política para tornar obrigatórias as consultas de planeamento familiar nos centros de saúde, tão obrigatórias como o é a vacinação -- com boletim e tudo --, para todos os adolescentes a partir dos catorze anos, e, em futuro próximo, outro seria, o panorama do aborto clandestino. É evidente que não haverá essa coragem. Se o «Sim» ganhar, está, para eles, o problema resolvido; se o for o «Não» a vencer, duvido que os partidalhos da esquerda -- sempre a contar votinhos, sempre a marcar pontinhos políticos à pala da «IVG» -- queiram defrontar o país conservador e a poderosa Igreja, promotora de sexualidade para eunucos, como bem demonstrou o Cardeal Patriarca e as suas patacoadas de educação sexual para a castidade (!)...
 
Sou ateu e voto à esquerda. O meu «Não» resulta da convicção de que não é lícito, a pretexto de problemas de saúde pública graves e problemas de civilidade igualmente agudos, permitir-se a destruição de fetos, que são, repito, seres humanos. Se após 11 de Fevereiro o aborto continuar a não ser livre, e nesse sentido votarei, espero que o Estado e a Sociedade assumam as suas responsabilidades, promovendo uma verdadeira reviravolta na política de planeamento familiar, para além do Sim carniceiro e do Não beato.
 

 

 

publicado por RAA às 17:37
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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

22.1.2007

Na morte de Elena Muriel. Morreu ontem Elena Muriel Ferreira de Castro. Foi das mulheres mais bonitas que conheci. Viúva de Ferreira de Castro, conhecera-o há 70 anos, no Estoril, ela com a sua família refugiando-se em 1936 da borrasca que se anunciava no país vizinho que era o seu; ele refugiado do tumulto do Chiado dos cafés e da conversa fiada, numa pequena casa que arrendara para escrever.

O seu encontro deu-se no atelier de Guilherme Filipe, nas Arcadas do Parque. O pintor desafiara Castro a posar para a jovem pintora espanhola, e este acedeu de imediato, fascinado pela beleza e frescura daquela jovem encantadora.
Ela tinha 23 anos e era filha-família; ele, 38, e era escritor, um autor em plena explosão das suas capacidades efabulatórias: em 1928 reeinventara(-se) com Emigrantes, diferente de tudo quanto imprimira até então, e também de tudo o que o romance português até lá apresentara aos leitores; A Selva, de 1930, fora a poderosa confirmação da veia iniciada com o livro anterior: nunca se escrevera nada como aquilo sobre a Amazónia, e hoje persiste como uma das grandes narrativas em língua portuguesa; Eternidade (1933), uma interrogação à morte, motivada pelo falecimento da sua primeira companheira, Diana de Liz, com quem vivera entre 1927 e 1930; é um livro da insurgência do homem contra o seu destino finito, mas também de rejeição do atavismo social que originava o lumpen operário e camponês, livro libertário por excelência, devorado, como os anteriores e os seguintes, pelos jovens futuros neo-realistas; em 1934, Terra Fria, análise do microcosmo quase proto-medeival do Barroso, valeu-lhe o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências.
Castro estava, pois, em grande: vivia dos seus livros e para os seus livros, que entretanto começavam a ser traduzidos. Não o suficiente, porém, para convencerem os pais de Elena a permitirem qualquer espécie de relacionamento, forçando-a a viajar para a Argentina, suficientemente longe de um artista, talvez boémio, que outro modo de vida não tinha.
Elena Muriel, contra tudo e todos, arrostou com a ira familiar, pais e irmã mais velha, e sozinha embarca para Paris, onde se encontra com Castro, aí casando em 1938. Os laços familiares só se reatam após o nascimento da filha de ambos, em 1945.
Juntos deram a volta ao mundo, em 1939. Ao contrário do que acima foi descrito, o percurso literário de Castro, que parecia ser luminoso, rapidamente se transformou num pesadelo, em face da Censura, irredutível quanto aos temas que ele desejara tratar. Um romance tendo a Revolta da Andaluzia (1931) como pano de fundo -- O Intervalo -- ficou na gaveta até 74; uma peça encomendada por Robles Monteiro para o Teatro Nacional, o problema da pena de morte como tema central, é censurada nas vésperas da representação; romances iniciados e que não passavam dos primeiros capítulos, por nem sequer valer a pena insisitir mais, ficaram na gaveta. Foi isto que levou Castro a escrever relatos de viagens. Elena acompanhou-o, e está muito presente na narrativa, e nas fotografias que fez, e nos motivos que pintou. A sua pintura de cromatismo suave, viveu largos anos na sombra do grande escritor; além disso, uma intoxicação provocada pelas tintas obrigou-a a suspender por um longo período o trabalho artístico, que retomará, episodicamente, já após a morte do seu marido, e ainda em homenagem a este, como podemos ver no Museu Ferreira de Castro, em Sintra, e na Biblioteca de Ossela (Oliveira de Azeméis).
Bati-lhe à porta em 199o/91. Preparava o meu primeiro trabalho de algum fôlego sobre ele. Nunca me esquecerei de quanto isso era importante para ela, apesar de uma injusta noção de segundo plano em que muitos a tiveram na vida do escritor. É certo que Diana de Liz foi uma intensíssima e breve relação de três anos, terminada tragicamente, deixando Ferreira de Castro à beira da loucura e do suicídio; mas os quase 40 anos de vida em comum que José Maria e Elena partilharam, tiveram esse grande horizonte da madurez do romancista pleno de A e a Neve, A Curva da Estrada, A Missão, O Instinto Supremo, do artista de referência na difícil oposição ao salazarismo, na consagração nacional e internacional da sua obra, e no súbito apagamento mediático que se dá com a sua morte, dois meses após o 25 de Abril. Ela que se habituara com ele às luzes da ribalta, faria o resto de caminho como que perplexa por esse desinteresse. Desinteresse que é só aparente e mediático -- por isso, superficial --, provam-no as reedições sucessivas, os filmes, os colóquios, as «obras completas» que do Círculo de Leitores à Planeta Agostini o foram pedestalizando. Mas Castro era já um autor póstumo, en fase de reavaliação e redescoberta; e foi com essa posteridade, umas vezes demasiado distraída, outras analítica porventura em excesso, que ela teve de viver os últimos trinta anos da sua vida, como se ela própria vivesse um tempo que já não era o seu.
De Elena Muriel, guardo o sorriso de uma senhora de idade, a quem, a certa altura, a vida correspondera e gratificara pela beleza que emprestara a quem a via; e guardo a certeza do grande amor pelo seu marido e pela obra que nos legou. Nunca a esquecerei.
publicado por RAA às 22:41
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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2017

20.1.2007

Fiama Hasse Pais Brandão. Acabo de ler no Insónia que morreu a Fiama Hasse Pais Brandão. Morreu, portanto, um dos maiores poetas da segunda metade do século XX. Não assinalei o falecimento do Cesariny, embora devesse tê-lo feito -- mais que não fosse por tê-lo aqui, esplendoroso, na «Antologia Improvável» --, porque o coro dos lamentos era já ensurdecedor. Suspeito que com Fiama tudo se passará com mais discrição. Para além da sua poesia apreciei também essa seriedade. Uma seriedade partilhada com as duas grandes vozes poéticas vivas ainda entre nós, esperemos que por longos anos: Alberto de Lacerda e Herberto Helder.

publicado por RAA às 21:56
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

17.1.2007

Mais «Grandes Portugueses»... O momento da noite da apresentação dos chamados «defensores» dos 10+ foi quando Helder Macedo disse a uma transbordante Ana Gomes que o Vasco da Gama era uma personagem do Camões.

publicado por RAA às 00:58
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017

15.1.2007

Ainda os "Grandes Portugueses". Se daqui a umas dezenas de anos voltarem a fazer um concurso idêntico, não creio que o Salazar, o Cunhal ou até o Sousa Mendes venham a estar nos 10+. Já o mesmo não digo quanto ao Pessoa.

publicado por RAA às 19:50
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Domingo, 8 de Janeiro de 2017

15.1.2007

Os Grandes Portugueses. E não é que, apesar de tudo, o público foi mais avisado do que os organizadores deste concurso? Quatro figuras ligadas aos Descobrimentos (dois mentores -- Infante e D. João II --, um agente -- Vasco da Gama -- e o cantor deles -- Camões, simultaneamente soldado do Império); o fundador, Afonso Henriques; Pombal, o estadista que com as suas grandezas e misérias subsiste enquanto tal no imaginário da nação. Quatro figuras da contemporaneidade: os incontornáveis Salazar e Cunhal, assim votados pelo ímpeto sectário, fenómeno compreensível e explicável. A presença de Pessoa reconforta-nos pelo modo como a sensibilidade colectiva continua, de alguma maneira, a manifestar um pendor lírico, uma necessidade estética. Aristides de Sousa Mendes, o Homem que de tudo abdicou em nome da sua consciência e da Humanidade é a boa surpresa disto tudo. Não votei na primeira volta, não tenciono votar agora; mas se o fizer fá-lo-ei no amor imenso, até ao sacrifício, que Aristides de Sousa Mendes representa.

publicado por RAA às 02:33
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