Segunda-feira, 28 de Setembro de 2015

28.11.2005

JornaL. 1) Hoje foi lançado no Centro Cultural de Cascais (Gandarinha) o livro de João Moreira dos Santos, Duarte Mendonça -- 30 Anos de Jazz em Portugal, editado pela Câmara Municipal de Cascais. Repositório essencialmente fotográfico, tem esse grande mérito de recordar uma história em que Cascais mais uma vez se destacou, graças ao sócio de Duarte Mendonça, Luís Villas-Boas. Pessoalmente, recordou-me o concerto mais recuado que a minha memória conseguiu alcançar: tinha 15 anos, e já se manifestava o pendor rocker: no Pavilhão do Dramático de Cascais -- que viria também a ser conhecido pela «Catedral do Rock», lembro-me duma tarde de blues, e da guitarra de Buddy Guy, (Buddy Guy / Junior Wells Blues Band), 11 de Novembro de 1979 (ver p. 90).

 
2) O jornalismo como grupo profissional sempre primou pela sua razoável indigência. A literatura tem-no referido abundantemente, basta uma referência à caricatura do Palma Cavalão, d'Os Maias. De Eça de Queirós a Fernando Pessoa, de Ferreira de Castro a José Régio, poucos terão sido os escritores de valor que não tenham de alguma maneira execrado, com verdadeiro nojo, a inanidade periodística. Também alguns plumitivos desassombrados o têm feito, como sucede com João César das Neves -- de quem normalmente discordo, mas cuja frontalidade não me desagrada. Neves, que traça um retrato negro dos media no DN de hoje, escreve o seguinte: «Ver o relato jornalístico de algo em que participámos é ficar, em geral, com a sensação de ouvir a única pessoa na sala que não percebeu nada do que ali aconteceu.» Ou como diria o Álvaro de Campos, com aquela qualidade chã dos algarvios: «Ora porra! / Então a imprensa portugueza é / que é a imprensa portugueza? / Então é esta merda que temos / que beber com os olhos? / Filhos da puta! / Não, que nem / ha puta que os parisse.»
 
3) A ler: José Fernandes Pereira (dir.), Dicionário de Escultura Portuguesa (dir.) (Caminho).
 
4) A ouvir: Rui Veloso, Espuma das Canções.
publicado por RAA às 23:57
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Sábado, 26 de Setembro de 2015

26.11.2005

The Dreaming. Escrevendo sobre The Dreaming, o crítico da Rock & Folk Jean-Marc Bailleux comparou (R&F n.º 190, 1982) este álbum aos míticos Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e The Dark Side of the Moon. Pois quanto a mim, o quarto disco de Kate Bush é melhor do que aqueles trabalhos dos Beatles e dos Pink Floyd. ODark Side não resistiu ao tempo; ouve-se hoje mais por curiosidade que por necessidade; quanto ao LP dos Fab Four, conquanto eles não tenham feito discos maus, sequer medíocres, o Sgt. Pepper foi alvo dos maiores ditirambos, nem sempre justificados. Não é o melhor dos Beatles, embora lá exista -- como em todos os outros títulos -- um punhado de obras-primas: «With a little help from my friends», «She's leaving home» ou «A day in the life».

Regressando a Kate, já se viu, pelo que ficou escrito, que estamos a falar dum disco de excepção. Kate Bush -- que acabou de lançar um duplo CD, após anos de silêncio -- é, aliás, uma artista notável: compositora, letrista, cantora, instrumentista, coreógrafa, bailarina, actriz... Além disso, é muito bonita, o que torna tudo ainda mais agradável.
Os que lhe estudam a obra costumam referir-se ao que poderíamos chamar o estranho mundo de K. B. Ana Rocha, v.g.,referiu-se, em artigo publicado há uns bons anos na saudosa Música & Som (n.º 61, 1981), à circunstância de «a fronteira entre o mundo adulto e o infantil [ser] frequentemente esbatida e diluída». E por mais evidente que surja o cosmopolitismo e a mundividência, existe esse ambiente de estranhamento, além de uma certa englishness que lhe povoa as canções.
Em termos musicais, The Dreaming revela o efeito provocado pelo terceiro LP de Peter Gabriel, em que Kate Bush participou -- como viria, dois discos mais tarde, em So, a fazer um inesquecível dueto com o ex-vocalista dos Genesis. Há composições em que essa inspiração me parece notória, sem subjugar a poderosa personalidade da autora de «Wuthering Heights».
É-me difícil destacar temas, de tal maneira estão conseguidos. A produção, também da sua responsabilidade, é um primor de contenção, bom-gosto, ideias bem arrumadas e, de novo, personalidade.
Uma referência para David Gilmour -- o músico que a revelou --, numa curta mas interessante participação em «Pull out the pin», uma das músicas soberbas deste disco.; e outra para o seu irmão, Paddy Bush, luthier e músico de grandes recursos, uma figura-chave no processo criativo de Kate.
Há vinte e tal anos que ouço The Dreaming regularmente, sem perda da capacidade de encantamento inicial -- a tensão e a estesia que nos proporcionam as obras de arte.
publicado por RAA às 22:42
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Sexta-feira, 25 de Setembro de 2015

25.11.2005

JornaL. 1) Miguel Cadilhe, um dos piores pesadelos do cavaquismo, comparou -- provavelmente com aquela verve de autómato que lhe é reconhecível -- o antigo mentor a um eucalipto: seca tudo sua à volta. Talvez, mas é a esse euclipto que o ex-ministro deve a relevância pública. Foi feio.

 2) A Igreja não quer homossexuais ordenados padres. Vasco Pulido Valente escreve hoje no Público: «não me entra na cabeça que se proteste contra o Papa, porque ele é o que é e não o que a maioria agnóstica, ateia ou indiferente gostaria que ele fosse.» Eu cá, que sou ateu, acho muito bem que ele seja assim como é. E também me pergunto: para que raio quereria um homossexual ser ordenado padre? Francamente, não joga.
 3)A ler: O Inimigo Público de hoje.
 4) A ouvir: Janis Joplin, Pearl - Legacy (Sony/BMG); Paul Weller,As I Know (V2/Edel); Souad Massi, Mesk Elil, (Wrasse/Harmonia Mundi).
publicado por RAA às 00:53
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Sábado, 19 de Setembro de 2015

24.11.2005

JornaL. 1) Cá se fazem, cá se vão pagando. Pinochet, o traidor de Salvador Allende, vai sendo incomodado pelos tribunais. Coitadinho. Já que, por uma questão de civilidade democrática, está guardado de sofrer as penas que infligiu a outros, ao menos que vá tendo uma velhice amargurada.

 
2) Manuel Alegre ao Público: «Se não aceitar ditaduras nem regimes totalitários, se lutar pela liberdade, se ter uma lógica independente e livre é ser romântico, então eu sou romântico.»
publicado por RAA às 22:55
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2015

24.11.2005

A palavra. A palavra de Manuel Alegre contra a palavra de José Sócrates. Por mim, podem juntar à de Sócrates a palavra de Mário Soares, o palavrão de Jorge Coelho ou a palavrinha de José Vitorino. Qual a palavra que pesa? Nenhuma dúvida a esse respeito.

publicado por RAA às 23:39
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Quinta-feira, 17 de Setembro de 2015

23.11.2005

Resignação. Estudos, ensaios de leitura crítica, antologias e recolhas epistolográficas -- tudo isso damos à estampa. Falta-nos, porém, o talento do criador.

publicado por RAA às 22:41
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2015

23.11.2005

JornaL. 1) Li apressadamente na livraria duas páginas do último de António Lobo Antunes, D'este viver neste papel aqui descripto -- as cartas enviadas a sua mulher. Soberbas. Não tenho dúvida de que se trata de um grande acontecimento cultural no sentido mais lato: a correspondência dum jovem alferes médico saudoso e apaixonado, atolado numa guerra tão estúpida que foi criminosa -- desde logo pela sua desnecessária estupidez. Um livro para a História. Tenho a certeza disso.

 
 2) As cartas hoje publicadas pelo JL, de Fernando Assis Pacheco, Manuel Beça Múrias e Afonso Praça, mostram isso mesmo. Como há tanto material humano de primeira qualidade ainda a conhecer...
 
 3) Miguel Real lança dois livros duma assentada: o ensaio O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa e um romance, a suceder ao excelente Memórias de Branca Dias: A Voz da Terra. Diz ele em micro-entrevista: «O romance histórico não deve reproduzir ficcionalmente a História, mas iluminá-la, abrindo-a a outras interpretações.»
 
 4) A ler: Andrade Corvo, Perigos (Fronteira do Caos); Frederico Lourenço, A Odisseia de Homero adaptada para jovens; Graciliano Ramos, S. Bernardo (Cotovia); Miguel Real, A Voz da Terra e O Marquês de Pombal e a Cultura Portuguesa (Quidnovi); Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Malva 62 (Quasi); Pedro Rodrigues,António Victorino d'Almeida Conta 50 Anos de Música(Quimera); Urbano Tavares Rodrigues, O Mito de D. Juan e Outros Ensaios de Escreviver (Imprensa Nacional); Paul Teyssier, A Língua de Gil Vicente (Imprensa Nacional); Miguel de Unamuno,A Vida de D. Quixote e Sancho (Assírio & Alvim).
 
5) A ouvir: Bach, Cantatas Profanas pelo Collegium Vocale de Gent, dirigido por Philippe Herreweghe (Harmonia Mundi); Mafalda Arnauth, Diário (Universal); António Chainho e Marta Dias, Ao Vivo no CCB (Movieplay); Clã, Gordo Segredo ((EMI-VC).
publicado por RAA às 23:49
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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2015

22.11.2005

JornaL. E de repente, o Ariel Sharon torna-se(-me) personagem mais simpática. Será para durar?

publicado por RAA às 19:07
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2015

20.11.2005

Andante maestoso. Acabo de ver no Mezzo, por mero acaso, uma gravação de 94 da 5.ª Sinfonia do Tchaikovski, dirigida pelo Claudio Abbado. E como sucede sempre que ouço esta peça do grande russo fico num estado de grande exaltação interior, em especial no quarto andamento, arrebatado e portentoso, com aquele final impensável que não termina nunca. Qualquer coisa de único e genial -- tanto ou mais do que o Adagio lamentoso da sinfonia seguinte, a última por sinal, que termina também duma forma inusitada, em patético apagamento, como dias depois da sua conclusão se extinguiria o compositor dela, tristemente.

E pensar que em tempos umas nulidades críticas que, como de costume, não viam dois palmos à frente do nariz, acharam o bom do Piotr Ilich, acompanhado, de resto, do seu contemporâneo alemão Brahms, uns músicos dispensáveis. Parece que os pobres se aborreciam com a circunstância de alguma da música dele servir para bailes, se calhar de debutantes. Daí a classificarem-no em conformidade foi um passo...
publicado por RAA às 00:43
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2015

18.11.2005

Fiat 600 ou 600 D, para ser mais preciso. É um carro de culto. Para mim, de certeza. Foi o primeiro que os meus pais tiveram depois do seu casamento, e foi o meu primeiro carro. Ainda não este modelo, mas o anterior,  de que me não recordo, cujas portas abriam ao contrário, como acontecia com os automóveis antigos nos filmes... Diz-me o meu Pai que o compraram em segunda mão. Depois adquiriram este, já novo, moderno, último grito. Lembro-me bem dele, branquinho, dos estofos característicos da marca, encarnados e brancos (espreitem lá para dentro, pelo vidro!), da buzina roufenha, daqueles cromados à frente e de lado (vejam...), do emblema FIAT -- fábrica italiana de automóveis de Turim --, lindo, lindo...

publicado por RAA às 19:30
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