Quinta-feira, 5 de Novembro de 2015

30.1.2006

O Haydn de Armstrong? Acontece-me estabelecer um paralelismo, muito pessoal e sem nenhum rigor, quando oiço ou penso em Sidney Bechet -- crioulo de Nova Orleães, figura cimeira das primeiras décadas do jazz, como músico principal ou acompanhante (no sax soprano ou no clarinete) e compositor (Petite Fleur é um tema conhecido em todo o mundo). Quando oiço Bechet, lembro-me de... Haydn, desse outro compositor de excepção, austríaco e cerca de século e meio mais antigo, com as suas cento e algumas sinfonias, além de muitas outras obras, das sonatas aos quartetos, concertos e oratórias. Para nosso bem, mas póstuma desvantagem (?) sua, Haydn e Bechet foram, respectivamente, contemporâneos de Mozart e Armstrong. E como as genealogias em arte se constroem (im)pacientemente, sem que se saiba quando o génio toca algum dos rebentos nos ramos das suas árvores, eis que um discípulo directo de Haydn surge e, milagre!, é dos poucos escolhidos que em toda a história da música conseguirá ombrear com Amadeus: Beethoven. No jazz as coisas então passavam-se de modo diferente, a transmissão de conhecimento era informal nas academias dos pobres. Teve Bechet o seu Beethoven no mundo da música improvisada afro-americana? Se ele for o Haydn de Armstrong, quem terá sido o seu Beethoven? Coltrane?

publicado por RAA às 22:46
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Sexta-feira, 17 de Abril de 2015

26.5.2005

3,2,1... jazz! Acabo de ver, ouvir e ler o primeiro cd, e respectivo livreto, da colecção Let's Jazz em Público, dirigida por José Duarte e publicada pelo jornal de José Manuel Fernandes. Deixo aqui três momentos de exaltação:

1) One for Daddy-O, por Julian "Cannonball" Adderley (sax alto), com Miles Davis (trompete) e uma secção rítmica superlativa, Hank Jones (piano), Sam Jones (contrabaixo) e Art Blakey (bateria);
2) Buddy's Blues, de e por Buddy de Franco (clarinete), Kenny Drew (piano), Milt Hinton (contrabaixo) e outra vez Art Blakey na bateria. (Um dos meus primeiros LP's de jazz foi o Lady Love, da Billie Holiday, gravado ao vivo em Colónia (1954), com o dito de Franco ao clarinete.) A languidez e a volúpia dos blues, está tudo aqui...
3) Afro-Blue, por John Coltrane (sax tenor), McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (contrabaixo) e Elvin Jones (bateria): jazz primordial, peço licença para dizer, como se de jam-session gravada se tratasse... ou não trata?... (Aproveitando: Mc Coy Tyner esteve por cá -- o meu é Cascais e Estoril -- algumas vezes. Vi-o no Parque Palmela, inspirado.)
 
publicado por RAA às 18:46
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