A selva como expressão das ideias libertárias de Ferreira de Castro (10). «O comendador Aragão era célebre em toda a Amazónia, pela sua enorme fortuna, vastidão de negócios e curiosa biografia. Fora dos que viera de tamancos, rude, analfabeto, as nádegas juvenis sempre expostas aos pontapés dos superiores, nessa época, ainda não muito distante, em que o comércio português dentro e fora da metrópole, se caracterizava por vida autoritária e rotineira. Casando a humildade com a esperteza, de marçano ascendera a caixeiro e, mais tarde, o amo, tendo de ir curar o fígado a Portugal, entendera que a melhor forma de não ser desfalcado pelos empregados, enquanto estivesse ausente, era fazer de um deles seu sócio. Aragão levara o negócio a grandes prosperidades e quando, anos depois, o abandonou, foi para se dedicar a outro mais rendoso. À mercearia sucedera um escritório de comissões e consignações -- porta aberta para todas as grandes fortunas, nesse tempo em que não era simples metáfora chamar-se oiro negro à borracha.» Cap. III, 32ª ed., p. 68.