Sexta-feira, 24 de Abril de 2015

11.6.2005

Different strings. Quando pensava que o chamado rock progressivo, tão da minha predilecção, já havia dado tudo quanto tinha para dar, por exaustão, por autoplágio ou simplesmente por natural deriva para outras realidades sonoras (v.g. Gabriel, Hammill, Fripp), apareceram-me uns canadianos de Toronto -- aliás, já com meia dúzia de anos de estrada -- e um álbum intitulado sintomaticamente Permanent Waves (1980), como a querer dizer que havia mais rock para lá da new wave (enfim, já ela então também agonizante, ou em mudança). Guitarra potente, baixo criativíssimo com laivos jazzísticos, bateria pronta para tudo, sintetizadores q.b., voz adequada e facilmente identificável. Não me canso de os ouvir, desde essa época.

 
publicado por RAA às 13:00
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Quinta-feira, 23 de Abril de 2015

7.6.2005

Humanidade

 

A doçura daquela
voz a tristeza daqueles
olhos o calor da
trompete de
Armstrong o segregado
desmentindo o ódio

Acabei de ouvir o «My Bucket Get's a Hole in It», no Let's Jazz em Público, de José Duarte, colectânea dedicada a Satchmo.
publicado por RAA às 22:40
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6.6.2005

Fabulástico. Fabulástico... A minha filha Joana chegou-se-me cá a casa com esta... Fabuloso? Fantástico? Espantástico!...

 
publicado por RAA às 13:41
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

5.6.2005

Querelas literárias. A propósito da leitura dos dois ensaios que compõem o voluminho Sobre o Romance Contemporâneo, publicado em 1940 e redigido um par de anos antes, na prisão:

 Casais Monteiro, um poeta menor, foi um excelente ensaísta, dos melhores do seu tempo. Havia então uma querela entre a chamada literatura humanista, neo-realista, que tinha os mais estrénuos defensores em Mário Dionísio e Álvaro Cunhal e, doutra parte, aqueles que, acusados de «psicologismo», elitismo e até de desumanidade -- porque não punham os problemas materiais do homem na primeira, ou na segunda, linha das suas preocupações enquanto artistas -- gravitavam em torno da revista presença. A história veio dar razão a Casais, a Régio e a Gaspar Simões, directores da folha coimbrã, não porque o outro lado não tivesse autores de primeira água, que os tinha, simplesmente porque o que sobrevive hoje dessa literatura tem que ver com questões de todas as épocas: por um lado, o homem visto como um problema total, não só material mas também espiritual; por outro, os aspectos da técnica literária, principalmente narrativa, que uma boa parte dos escritores política e/ou socialmente empenhados dominavam muito bem. A querela aludida acima, se hoje (nos) é risível, causou então fortíssimas polémicas, interessantíssimas historicamente, mas que actualmente seriam, mais do que intoleráveis, ridículas...
 
publicado por RAA às 18:15
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Terça-feira, 21 de Abril de 2015

5.6.2005

ETC. Pelo http://almocrevedaspetas.blogspot.com (estou para ver como é que o link sai) soube da morte de Eduardo Teixeira Coelho/ETC/Martin Sièvre, pseudónimo que utilizou. Não é um autor da minha formação, conheço-o mal, o suficiente, porém, para reconhecer à distância o seu enorme talento. Poderia talvez ter sido um nome mais conhecido na Europa da BD se as circunstâncias que lhe condicionaram o percurso artístico (que em grande parte desconheço, para além da desvantagem da nacionalidade) tivessem sido outras. Não obstante, fez parte, este ano, da lista de autores estrangeiros nomeados para um prémio do Festival de Angoulême, o mais importante de todos. Aqui fica uma homenagem.

publicado por RAA às 23:09
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2.6.2005

Pintura e bate-chapas. AutoAlmada não é um stand de automóveis, AutoColumbano não fica na avenida lisboeta, AutoManta não se especializou no mítico modelo da Opel; são simples abreviaturas de auto-retratos de alguns pintores n'«os meus documentos».

 
publicado por RAA às 13:11
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2015

1.6.2005

Sol de Junho

 

O sol de Junho irradia,
sem se extinguir a moinha
a chover-nos dentro.

Somos atravessados pela melancolia,
choro intenso de lágrimas secas.

Trazemos em nós o próprio feto,
que continuamente violentamos.

VI-2001
publicado por RAA às 23:24
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30.5.2005

Boule, antes de Calvin. Boule e Bill, um rapazinho e o seu cocker spaniel, criação magnífica do belga Jean Roba, em 1959, foi uma das grandes séries da revista Spirou. Reli há pouco o primeiro álbum. Boule lembrou-me o seu congénere americano Calvin: ambos miúdos de palmo e meio, beneficiando da cumplicidade das respectivas mascotes, o bouleversement (desculpem, mas não resisti) do mundo adulto e dos seus códigos de conduta, uma notável disponibilidade do(s) autor(es) para estar(em) na pele duma criança, e simultaneamente uma grande inocência. Antes de se retirar, há cerca de dois anos, Roba escolheu Verron para lhe suceder. Boule e Bill são pouco conhecidos entre nós e estão inéditos em livro.

publicado por RAA às 00:20
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Sábado, 18 de Abril de 2015

26.5.2005

Here, there and everywhere. A genialidade dos fab four reside nisto: grandes canções, comerciais ou experimentais, pouco importa, trabalhadas como diamantes em bruto (passe o lugar-comum), que eles próprios lapidavam e o produtor George Martin, o quinto beatle, ajudava a burilar. Revolver, por exemplo, que acabo de ouvir, de 1966. Há quem diga ser o melhor álbum dos Beatles, opinião que requer alguma temeridade para ser defendida -- esta e outras, respeitantes a outros discos. Eu, por exemplo, tenho um fraco pelo Rubber Soul (1965). Cada LP da banda de Liverpool trazia uma mão-cheia de obras-primas, além de várias boas composições, acima da média. Neste aqui à mão, por exemplo:«Good day sunshine», «I'm only sleeping», «Yellow submarine», «Got to get you into my life», excelentes canções. Querem obras-primas do Revolver? Aqui vão: «Eleanor Rigby» «Here, there and everywhere», «For no one», «Tomorrow never knows»...

publicado por RAA às 23:23
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Sexta-feira, 17 de Abril de 2015

26.5.2005

3,2,1... jazz! Acabo de ver, ouvir e ler o primeiro cd, e respectivo livreto, da colecção Let's Jazz em Público, dirigida por José Duarte e publicada pelo jornal de José Manuel Fernandes. Deixo aqui três momentos de exaltação:

1) One for Daddy-O, por Julian "Cannonball" Adderley (sax alto), com Miles Davis (trompete) e uma secção rítmica superlativa, Hank Jones (piano), Sam Jones (contrabaixo) e Art Blakey (bateria);
2) Buddy's Blues, de e por Buddy de Franco (clarinete), Kenny Drew (piano), Milt Hinton (contrabaixo) e outra vez Art Blakey na bateria. (Um dos meus primeiros LP's de jazz foi o Lady Love, da Billie Holiday, gravado ao vivo em Colónia (1954), com o dito de Franco ao clarinete.) A languidez e a volúpia dos blues, está tudo aqui...
3) Afro-Blue, por John Coltrane (sax tenor), McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (contrabaixo) e Elvin Jones (bateria): jazz primordial, peço licença para dizer, como se de jam-session gravada se tratasse... ou não trata?... (Aproveitando: Mc Coy Tyner esteve por cá -- o meu é Cascais e Estoril -- algumas vezes. Vi-o no Parque Palmela, inspirado.)
 
publicado por RAA às 18:46
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