Quinta-feira, 9 de Abril de 2015

3.5.2005

Nem virtude, nem pudor, nem amor, nem inteligência, nem verdade, nem justiça.
Eça de Queirós, Da Colaboração no «Distrito de Évora» - I


Tempos propícios. Não nos admiramos com as feiras de homens à venda. Nem com os seus frequentadores -- uns para avaliar o artigo, outras à procura da melhor ocasião para a sua própria hasta pública. O espantoso é aparecer tanta gente a preço de saldo.

publicado por RAA às 01:24
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Quarta-feira, 8 de Abril de 2015

30.4.2005

Rory Gallagher: Follow Me

 

A voz
grave, quase gutural,
amacia cada riff
dedilhado com nervo,
como se a vida se esvaísse
das cordas daquela fender.

Puro malte irlandês.

21-VI-2003

publicado por RAA às 00:21
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Terça-feira, 7 de Abril de 2015

27.4.2005

Don Rosa: Pura Aventura. Deu uma qualidade à BD Disney que há muito lhe faltava. Herdeiro espiritual do magnífico Carl Barks, foi influenciado pelo sortilégio das suas narrativas, aventuras puras. Com Rosa, as personagens ganharam densidade psicológica (a imagem do Tio Patinhas/Scrooge McDuck recolhido junto das campas dos pais, na Escócia natal*, seria impensável antes dele), deixando, contudo, de apresentar aquela frescura ingénua que víamos nas estórias de Barks. A trama, porém, é sempre bem urdida, e com verdeiro enlevo para com os nossos conhecidos cidadãos de Patópolis/Duckburg.

 
*«Uma carta de casa», Tio Patinhas nº 231, Março de 2005.
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2015

25.4.2005

25 de Abril. Nesse dia não fui à escola, houve azáfama de supermercado, passei a tarde a ouvir rádio, encerrei a noite a ver o Spínola na televisão. Tinha quase dez anos. Para trás, recordava-me que havia uma prisão em Caxias, onde estavam uns coitadinhos duns presos que não tinham feito mal a ninguém; e vira, poucos anos antes, da janela da minha sala, uma carga policial, com cães e tudo, sobre uns guedelhudos que iam assistir a uma sessão de «canto livre» no Estoril. A música do 25 de Abril de 1974 será sempre, para mim, o Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades, do José Mário Branco.

publicado por RAA às 01:44
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Sábado, 4 de Abril de 2015

23.4.2005

O som e a fúria. Há nos Linkin Park uma autenticidade que não me deixa indiferente. Aquela ira, aquele mal-estar, aqueles sintomas da sujidade endémica do nosso quotidiano.

publicado por RAA às 17:29
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20.4.2005

Também li o livro do José Gil. Tudo o que lá está, está certo, sem exageros quanto à herança do salazarismo, nomeadamente o papel do medo na nossa sociedade. Mas também não há nada de novo. Tudo quanto de substancial o livro traz, há décadas que tem sido dito e redito por muita gente, designadamente a questão do medo e da nossa mediocridade colectiva, tratada em ditadura corajosamente por gente como o Ferreira de Castro ou os primeiros surrealistas. Com a vantagem de que o foi num português mais escorreito, sem este desagradável sotaque francês do Portugal, Hoje -- O Medo de Existir. De qualquer modo, é sempre salutar expor as nossas misérias ao sol.

publicado por RAA às 00:50
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Quinta-feira, 2 de Abril de 2015

5.4.2005

Lux Aeterna. Há na música uma superfície gélida que nos faz deslizar em plano inclinado até ao que a humanidade tem de mais recôndito: o medo. Ouvir este Ligeti é experimentar o grande deserto branco que o mundo pode ser, cheio de luz, mas sem rugas, sem uma flor.

publicado por RAA às 22:50
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3.4.2005

In the flesh. Já há algum tempo que dei por mim surpreendido com a circunstância de quanto mais o tempo passa mais agradável se me torna ouvir o The Wall, dos Pink Floyd, inversamente ao fastio que me vão provocando os outros álbuns que preencheram a minha adolescência: o Dark Side of the Moon, o Wish You Were Here e o Animals. Nesses idos de 79, chocalhado pelo pós-punk, comprei, ouvi, gostei e guardei o The Wall, aborrecido com o chinfrim à volta da censura ao hit «Another brick...», que tresandava a publicidade irritante. A verdade é que se trata de um grande (duplo) disco, escrito e composto ali com as vísceras todas do Roger Waters, traumatizado órfão de guerra. São 26 pequenas obras-primas, na melhor tradição do rock britânico, onde também há lugar para o riquíssimo veio oitocentista do musical londrino. Mason, Wright, Gilmour e Waters formam um quarteto arrebatador e inspirado; e Bob Ezrin, co-produtor esteve à altura do dramatismo, por vezes grandiloquente, que Waters pretendeu. Fiquei surpreendido, é verdade, mas sem razão. O Waters pôs-se todo lá, e quando é assim, é difícil uma obra não resistir ao tempo.

publicado por RAA às 00:44
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2015

2.IV.2005

Insisto. Que dizer daquele tipo porreiro que ninguém quer lembrar, que nunca é referido nas crónicas dos lugares por onde passou, tal é a mancha de vergonha que provoca a simples evocação do seu nome impuro?

publicado por RAA às 00:34
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