Stella splendens. Devo a Jordi Savall alguns dos momentos de mais intenso prazer estético de toda a minha vida. Não me posso esquecer de que o primeiro contacto que tive com a música de Jean-Baptiste Lully, ocompositor de Luís XIV, se deu através do seu ensemble Le Concert des Nations. Neste preciso momento estou a ouvir a voz etérea de Montserrat Figueras entoando Maria Matrem, composição do Llibre Vermell de Montserrat, manuscrito da abadia medieval catalã do mesmo nome. E volto a face do LP desta outra formação célebre de Savall, o Hespèrion XX, e ouço o tutti em Stella splendens, com a abertura do alaudista Hopkinson Smith, seguida dos sopros e das percussões. Quão humana, meu deus, é esta música celestial...
Não há volta a dar-lhe. Fazer nome à custa dos grandes autores é uma forma de parasitismo. Mesmo pelas melhores intenções, por mais satisfatórios que sejam os resultados.
Isabelino. Há quem chame rock progressivo à música dos Yes. Eu prefiro a designação «rock isabelino». Rock com madrigais dentro.
A grande evasão. Mas o que eu delirava com os Patinhas que os meus pais me traziam aos sábados!... Como eu adorava aquelas capas! Que escapadela à chatice da escola: o brejo do Quincas, do Zé Grandão e do Lobo Mau, a Paris dos Aristogatos, Patópolis, o Mundo...
Um Sobrevivente do Tarrafal
Vejo-o velho
anarquista digno
e austero casaco
abotoado sem
gravata nem
dentes.
Quase pede licença para falar.
Chega-me um
hálito de morte
com a sua voz
sumida. Não me importa
tanto o que diz
nem como o diz.
A figura é tudo.
Ditado. Cada sentença, sua cabeça.
Renault 8. Também aqui a minha recordação é ténue. O carro pertence ao meu Avô Zé, ele está no lugar do condutor, eu ao colo do meu Pai, no chamado lugar do morto. Parados. Era cinzento, não me recordo se metalizado ou fosco. A viatura da minha evocação será aí de 1967.
Bass guitar hero. Ainda estou para ouvir outro guitarra-baixo como o Chris Squire, dos Yes.
Imposição. Os grandes livros são aqueles que nos forçam a escrever.
Kim Kebranoz, ou Benoît Brisefer, criança possuidora duma força hercúlea, só a perdendo quando se constipa... É uma criação do belga Peyo, o autor dos celebérrimos Schtroumpfs. Um clássico da revistaSpirou, editado entre nós há já vários anos pela mui católica União Gráfica. Estive a reler Os Táxis Vermelhos, e também aqui fazia sentido o slogan do hebdomadário concorrente: historietas dos 7 aos 77 anos. Palpitante!...